A Flor Pisada
Chamava-se Iura.
Tinha seis anos completos, já ia a caminho dos sete; e o mundo para ele era algo de imenso, vivo e encantadoramente desconhecido. Ele conhecia bem o céu, conhecia a sua cor diurna de um azul profundo, conhecia as nuvens brancas, cinzentas ou até douradas que passavam lentamente a flutuar: observava-as muitas vezes, deitado na relva ou no telhado. Mas não conhecia tão bem as estrelas, porque se deitava cedo; conhecia bem apenas uma delas, verde, brilhante e atenta, que surgia no céu pálido mesmo antes do sono chegar, e que, obviamente, parecia ser a única daquele tamanho em todo o céu. Mas conhecia melhor do que tudo a terra do jardim, da rua e do quintal, com toda a sua riqueza inesgotável de erva, de pedras, de poeira quente e aveludada, e daquela abundância e variedade de detritos extraordinários e misteriosos, nos quais as pessoas não reparavam do alto da sua grande estatura.